É o nome espiritual dos produtos agrícolas, mais especificamente da batata, que é o principal alimento do povo aymara. Esse produto precioso é, ele mesmo, o rosto da divindade. Assim, sempre mantemos um grande respeito por ele. Por exemplo, ao plantarmos a batata, dizemos que ela está grávida e, por isso, deve ser manuseada com cuidado.
Nossas mães nos ensinam que, ao levantar qualquer batata encontrada caída no caminho, devemos beijá-la em atitude de respeito e afeto, que devemos render-lhe homenagem ritual durante o plantio e a colheita, que são executados principalmente por mulheres. Queremos incentivar a geração mais jovem a não perder esse costume de respeito aos produtos; porque acreditamos que, se maltratamos a alma alimentícia, ela chora, não quer produzir mais e vai para outros lugares. A comida é nossa qipa, é uma parte do tecido que forma nosso ser. Graças a ela somos fortes e resistentes, para falar em voz alta.
Agricultores andinos têm sobrevivido ao longo da história com uma economia de subsistência, não uma economia de mercado ou de acumulação. Ou seja, cultivamos e produzimos para nos alimentar, trocar produtos, e não necessariamente para vender. Essa prática pode ser chamada de solidariedade econômica ou de economia solidária, prática que não devemos perder e que, se nos fizeram perder, devemos recuperar.
(Vicenta Mamani Bernabé - Tradução Carolina Bezerra de Souza)
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