top of page

Entre-Fronteras Latinoamericanas V

  • 30 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Hoje, 09 de junho de 2015, acá estamos nosotros em el terminal de buses de Mendoza, cidade que quedamos por cinco agradáveis e proveitosos dias a nossa viagem e estudos. Estamos de partida da Argentina rumo a Santiago, em Chile e, justo hoy es “dia de paro” ou greve geral dos transportes por acá en Argentina, e el terminal está vazio de buses, aunque os mais de 40 guichês em funcionamento, assim percorremos 37 destes 40, até que na empresa Chi-Ar que é chilena, sairia um bus as 13:30h, com destino a Santiago, uma viagem de aproximadamente 7h.


Sem muitas opções, compramos logo as passagens e faltando ainda 2h quedamos no terminal mesmo, esperando dar a hora da partida já que estávamos com a mochila e o livro do Galeano que o Victor Hugo nos regaló. O ônibus estava com todos assentos ocupados e as 13:30 partimos rumo ao Chile, pero nesse trajeto passaríamos também por nossa quinta fronteira latino-americana neste projeto expedição.


Dessa vez diferente de outras fronteiras que cruzamos a pé, vamos atravessar a fronteira de ônibus nesta viagem linda por entre a Cordillera dos Andes e seu ponto mais alto, o Monte Aconcágua, ainda do lado argentino, e a parte chilena da cordillera que empezamos bajar hasta Santiago, nosso destino final.


Cientes das coordenadas geográficas de nosso trajeto, essa viagem é daquelas que não se pode piscar e muito menos cochilar, pois são lindos cenários, paisagens, e assim nas primeiras horas da viagem, ainda em terras argentinas a saída de Mendoza e inicio de nossa viagem todavia é um terreno desértico e plano, com muitos vinhedos e oliveiras ao longo da estrada, assim como bodegas e vinícolas, poucas casas, poucos campesinos e quase nada de agricultura diversificada, solamente áreas especializadas em uvas e acetunas e seus grandes campos monocultivados.


À medida que distanciamos de Mendoza, iniciávamos a subida da cordillera, já outro cenário nos acompanha, as montanhas são gigantescas, ultrapassam os 3, 4, 5, 6 mil metros de altitude, um relevo todavia em formação que já se avistam os picos nevados e cumes de serras, literalmente recortados e modelados por erosões glaciais de anos, vales profundos de pequenos arroyos ou riachos de água de geleira que, às vésperas do inverno, se encontram bem secos e discretos. Várias colorações de terra, neve, rochas, areia, vegetação e céu se mesclam e compõem o visual dessa subida. Vamos passando também por pequenos pueblos como Uspallata, Puente del Inca e Las Cuevas que possuem estações de esqui, hotéis e vivem economicamente do turismo de aventura, haja vista a proximidade também com o ponto mais alto ou o 'cume das Américas', o monte Aconcágua, com 6.990m de altitude, que passamos em frente e pudemos com máximo respeito, admirar tamanha imponência e ostentação de fuerza e grandeza de la madre tierra, de picos nevados permanentemente, está cercado por montes menores pero muy grandes también, e que ilustradamente o cercam e o protegem.


Já a 188km de Mendoza e a 4.000m de altitude chegamos na fronteira nacional “Paso de los Libertadores”, por onde tínhamos que fazer uma parada obrigatória, nas aduanas e policias de migração. Assim sendo, num frio e sensação térmica de bajo 0ºC, todos descemos do ônibus e fomos em filas, respectivamente às aduanas de Argentina e Chile. Neste momento, a polícia migratória do Chile, solta o cachorro farejador na sala em que todos estávamos, e então um lindo labrador negro começou a cheirar a todos, até que se simpatizou com minha pessoa e até pulou no peito e quis brincar como vários outros perros. No entanto, este é um perro milico, farejador... e infelizmente, desta vez não poderemos brincar, pois está a serviço da pátria chilena. Em seguida, o policial chileno aguardou que eu terminasse o tramite do passaporte, se aproximou de mim e mandou que eu o seguisse para outro local. Com os olhos, avisei a Fernanda que ficasse tranqüila, e segui o policial até uma salinha da Policia Migratoria, na verdade um container adaptado.


Eu e o policial solamente. Me pediu a mochila. Se aproximou, olhou dentro dos meus olhos e, a 20cm do meu rosto disse que o Chile é um país que tem uma política séria anti-drogas e que se eu possuísse qualquer coisa ilegal que despachasse ali mesmo. E então me perguntou se eu tinha ou trazia comigo, algum tipo de droga. O que da mesma forma, olhando em seus olhos e a 20cm de seu rosto, respondi que não tenia nenhum tipo de droga comigo e, de imediato fui abrindo minha mochila para que ele revistasse, assim como o casaco e o gorro que me abrigava do frio, mas que ele também quis averiguar. A medida que ele ia mexendo na mochila, já peguei o passaporte e fui falando que estamos num projeto, viajando a estudo e por conta própria, yo y mi novia, e que já passamos por várias fronteiras nacionais. Ainda assim, depois de nada encontrar na mochila, nem no casaco, tampouco no gorro, ainda rolou aquele tradicional ‘baculejo’ ou revista pelo corpo, tateando dos meus pés à cabeça. Por fim um discurso sobre a política antidrogas chilena, e então vinte minutos depois fui liberado, e reencontrei a Fernanda que não mais estava na sala das aduanas, mas me aguardando já no ônibus, com frio, tensa e ansiosa, após o ocorrido.


Dali, todos os passageiros do ônibus que já estavam dentro do veiculo por conta do rigoroso frio, tiveram que descer de novo para fiscalização nas mochilas, assim como nosotros, ficamos todos alinhados novamente, mas desta vez cada qual com o seu pertence ou mochila de mão sobre uma esteira, onde o cachorro farejou tudo mais uma vez. As mochilas maiores e malas são descarregadas do ônibus por funcionários da aduana e passam também na esteira de raio-x, e os fiscais neste momento entram no ônibus vazio para uma revista também do veículo. Tudo isso leva mais uma hora.


Novamente me solicitaram que abrisse a mochila e mostrasse o que trazia ali, desta vez o pessoal do Ministerio de Agricultura de Chile, o que foi breve ao contrário do que passou com a senhora que estava conosco em el mismo bus, que teve que abrir uma caixa toda empacotada que carregava um acalentador ou aquecedor de ambiente, e depois da revista ou suspeita frustada, ainda teve que empacotar tudo enquanto todos já a aguardavam no ônibus, para enfim salirmos de ali. Assim, somente depois de todo esse tramite legal na fronteira chilena, que durou no total quase duas horas, pudemos ser de fato bem vindos ou bien venidos al Chile.

Domingo, 05 de abril de 2015, Buenos Aires - Argentina.

 
 
 

Comentários


"Yo creo que fuimos nacidos hijos de los días, porque cada día tiene una historia 

nosotros somos las historias que vivimos...

Eduardo Galeano

  • b-facebook

"Atravessei a rua, atravessei a vida, acreditei que era perto e fui lá ver..."
                                                                          

                                                                                   Gonzaguinha

© Projeto e Site independentes e sem fins lucrativos, elaborado e atualizado por NoSoTroS LaTiNoS. Todos os direitos reservados!

bottom of page